domingo, 14 de fevereiro de 2010
Sobre Mim
Penso muito.
Não penso porque quero pensar.
Apenas penso.
Sinto-me envolvido por uma metafísica profunda! Incontornável!
Uma vontade insana de descobrir a equação última de todo o arranjo Universal!
Enquanto isso, vasculho, pondero, percorro e pergunto, podendo por perdido achar-me só!
Mas na verdade não quis que nada disso me acontecesse.
Quis apenas ser mais um!
Um só mais na Terra: ignóbil, indiferente, superficial, saloio!
Apenas mais um que fizesse de si o que não soubesse, porque saber-me seria saber demasiado e assim contentar-me-ia com tudo aquilo que tenho, que é tudo aquilo que não cheguei a saber.
(Seria pastor de pastos desertos, sem a consciência de si mesmo, perdido no prado, à espera do que não viesse!)
Seria pastor?
Não o seria pois, se o soubesse, mas como de nada saberia, sê-lo-ia com a certeza de quem não o sabe e nunca o chegará a saber!
Eis-me aqui, mais uma vez, a divagar na imensidão já pouco clara das palavras...
(Esgota-se-me a tinta! ...mas que tinta se com lápis escrevo?!)
Já não sei o que escrevo!
Porque escrevo?
Haverá portanto algum sentido último na dislexia de tanta palavra?
Não mo compete saber.
É melhor não o querer saber.
Darei por mim, outra vez,
Pensando!
Eugénio Costa, in Catarse Poética
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